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Os Quatro Pilares da Educação: Mapa de Jacques Delors

Os quatro pilares são uma formulação genial de um grupo de personalidades mundiais da educação, coordenado por Jacques Delors a pedido da Unesco, que surge como mapa e bússola para orientar os educadores, dando-lhes maior segurança em um mundo complexo, batido constantemente por ondas de conhecimentos e transformações cada vez mais vertiginosas, que alteram modos de ver, de aprender, de ensinar e de viver. Como não submergir nesse mar agitado? Como definir a melhor rota de navegação num mundo em permanente processo de transformação?
A UNESCO coloca como alicerce de todas as construções pedagógicas neste novo século quatro pilares fundamentais: aprender a conhecer, aprender a conviver, aprender a fazer e aprender a ser.
Aprender a conhecer – Competências cognitivas
Na visão do Relatório Jacques Delors, aprender a conhecer não significa simplesmente a acumulação de grandes quantidades de conhecimentos durante a fase escolar, mas a possibilidade de a pessoa expandir e aprofundar essa bagagem ao longo de toda a vida. Para que a vontade de atualização de conhecimentos efetivamente mobilize o indivíduo na busca de oportunidades de aprendizagem, é preciso que ele tenha interesse e curiosidade intelectual e que sinta prazer em aprender. É este prazer de aprender o novo e de descobrir novos ângulos em coisas conhecidas que mobiliza e dinamiza nossas energias para enfrentar os desafios da aprendizagem. Sem o prazer gerador de vontade e entusiasmo, a aprendizagem fica reduzida a um ato mecânico do qual resulta uma assimilação passiva de informações, mas não uma recriação e apropriação pessoal e ativa do conhecimento, que caracteriza as aprendizagens significativas.
Portanto, as instâncias educativas têm pela frente o desafio de pensar não só o quê ensinar, mas como ensinar, de forma a construir um ambiente propício para despertar o desejo de aprender e estimular a aquisição de aprendizagens significativas que formem uma base sólida para a criação, recriação e expansão de conhecimentos. Além do mais, é preciso que os educandos aprendam a aprender e dominem o processo de produção e gestão do conhecimento, adquirindo as ferramentas essenciais que lhes permitam conduzir a própria aprendizagem (aprender a aprender), transmitir os conhecimentos adquiridos (ensinar o ensinar) e construir seu próprio conhecimento (conhecer o conhecer), de forma cada vez mais autônoma e competente.
Aprender a conhecer também é tomar posse da herança de conhecimentos produzidos pela humanidade para que a pessoa compreenda melhor o ambiente em que vive, seja capaz de analisar criticamente a realidade e atuar no sentido de sua transformação ou da preservação das conquistas sociais. Significa também desenvolver as competências mínimas que possibilitam navegar no mundo do conhecimento e adquirir novos saberes: a leitura, a escrita e a resolução de problemas.
Na história da humanidade, conhecimento e poder sempre estiveram intimamente associados, influenciando-se mutuamente — e mais ainda na época atual, denominada era do conhecimento. Por isso, na sociedade contemporânea lutar pela democratização do conhecimento é lutar pela distribuição do poder. O poder de pensar, de compreender, de reivindicar, de ter uma vida digna e de contribuir para o aperfeiçoamento da sociedade.
Neste mundo complexo e em constante transformação, em que o conhecimento é o recurso mais valioso na vida das pessoas, das organizações e das comunidades, a responsabilidade de educar as novas gerações passa a ser compartilhada por toda a sociedade, deixando de ser tarefa exclusiva da escola. Isto quer dizer, por um lado, que a escola vem redefinindo seu papel e reformulando seus modelos pedagógicos para, por exemplo, fortalecer a integração social e para melhorar a qualidade do ensino público, buscando garantir o acesso efetivo de toda a população infanto-juvenil brasileira ao conhecimento e aos meios de alcançá-lo. Por outro lado, a família e as organizações não-governamentais também se constituem em importantes espaços educativos que, em estreita cooperação com a escola, passam a assumir um compromisso com a formação das novas gerações por intermédio do desenvolvimento de projetos educacionais que venham não apenas apoiar e fortalecer a escola, mas complementá-la e enriquecê-la, melhorando a qualidade do ensino formal e a oferta de oportunidades educativas fora da escola, especialmente se tratando das populações economicamente menos favorecidas.
A importância que o conhecimento tem na nossa sociedade e a urgência em democratizá-lo impõem a todos nós o dever ético de tornar o desenvolvimento das competências mínimas e a aquisição de saberes acessíveis a todas as pessoas, especialmente às novas gerações para que possam desenvolver suas potencialidades e viver dignamente. A distribuição do patrimônio e dos instrumentos do conhecimento realizada sem privilégios, discriminação e exclusão sem dúvida é uma faceta importante para que nosso país possa atingir níveis mais elevados de qualidade de vida, de justiça e de eqüidade social.
Competências cognitivas mínimas
Para que possam mover-se pela era do conhecimento e adquirir os saberes e informações necessários para dar resposta aos desafios das sociedades contemporâneas, tomando como base os Sete Códigos da Modernidade de Bernardo Toro, crianças e adolescentes precisam desenvolver as seguintes competências mínimas:
Linguagem
Utilizar as várias linguagens como forma de expressão.
Expressar-se oralmente com clareza.
Leitura e escrita
Ler textos com compreensão, entendo sua finalidade.
Desenvolver o gosto pela leitura.
Escrever diferentes textos, compreendendo sua finalidade.
Cálculo e resolução de problemas
Calcular e resolver problemas.
Analisar situações-problema e propor alternativas de solução.
Acesso à informação
Aprender a pesquisar em bibliotecas, hemerotecas, videotecas, museus etc.
Conhecer os recursos presentes na própria comunidade.
Ter acesso a redes de informação e à Internet e aprender a fazer uso delas.
Análise e interpretação de dados, fatos e situações
Descrever, analisar, comparar situações.
Interpretar resultados, organizar e comunicar idéias.
Interação crítica com os meios de comunicação
Analisar, comparar e criticar as mensagens veiculadas pelos meios de comunicação (cinema, televisão, rádio, jornal, revista).
Competências metacognitivas
O conhecer de que falamos é mais do que cultivar um repertório profundo e detalhado de saberes. É, antes, uma cultura geral, uma abertura curiosa e atenta ao mundo em redor. É sentir a alegria que vem do conhecimento, do estudo, da curiosidade intelectual. É exercitar a memória, a alegria e o pensamento. É prestar atenção nas coisas e nas pessoas. Isso tudo é aprender a conhecer, um aprendizado sem hora nem lugar ou de toda hora e de todo lugar. Conhecer, portanto, não é reproduzir o mundo em nossa mente exatamente como ele é ou nos dizem que é. Conhecer exige um filtro que tem vários nomes: espírito crítico, discernimento, reflexão. O verdadeiro conhecimento é crítico, reflexivo. As competências cognitivas envolvem o que se tem chamado de metacognição. Metacognição quer dizer o processo de reflexão crítica que fazemos sobre o nosso próprio conhecer, cujos conteúdos foram organizados em três campos: aprender a aprender, aprender a ensinar e aprender a conhecer. As competências metacognitivas são as ferramentas fundamentais para ampliar a consciência de si mesmo e do mundo, fornecendo as condições para que cada um possa compreender a complexidade das sociedades para poder viver, desenvolver suas capacidades e se comunicar. Por isso, podem ser consideradas como meio para a aprendizagem e também como a própria finalidade da vida. Para que possam aprender em todas as oportunidades e espaços ao longo de toda a vida, crianças e adolescentes precisam desenvolver as seguintes competências metacognitivas:
Aprender a aprender – Autodidatismo
Compreender como o processo de aprendizagem se inicia, como se desenvolve, que condições propiciam a aquisição de conhecimentos e habilidades.
Aprender com a própria experiência, com os acertos, ensaios, erros e dificuldades.
Aprender a ensinar – Didatismo
Desenvolver habilidades didáticas para repassar conhecimentos.
Aprender a conhecer – Construtivismo
Aprender a construir conhecimento.
Os quatro pilares da educação
Os quatro pilares são uma formulação genial de um grupo de personalidades mundiais da educação, coordenado por Jacques Delors a pedido da Unesco, que surge como mapa e bússola para orientar os educadores, dando-lhes maior segurança em um mundo complexo, batido constantemente por ondas de conhecimentos e transformações cada vez mais vertiginosas, que alteram modos de ver, de aprender, de ensinar e de viver. Como não submergir nesse mar agitado? Como definir a melhor rota de navegação num mundo em permanente processo de transformação?
A UNESCO coloca como alicerce de todas as construções pedagógicas neste novo século quatro pilares fundamentais: aprender a conhecer, aprender a conviver, aprender a fazer e aprender a ser.
Aprender a fazer – Competências produtivas
Aprender a fazer está intimamente associado a aprender a conhecer, uma vez que trata especificamente da aplicação, em uma profissão ou atividade, dos conhecimentos adquiridos pelos educandos no ensino formal e em outros espaços educativos. Trata, portanto, da formação para o trabalho, do desenvolvimento de competências para ser produtivo na vida.
A questão principal analisada pelo Relatório Jacques Delors, entretanto, vai além da aprendizagem de uma profissão: que formação dar às novas gerações considerando-se que o trabalho está em constante transformação em conseqüência dos avanços tecnológicos? No bojo dessas transformações, as funções e os conhecimentos específicos podem se tornar obsoletos em pouco tempo. Sendo assim, o que ensinar hoje aos nossos educandos que seja válido quando ingressarem no mundo do trabalho? Que competências priorizar?
Diante dessas circunstâncias, é preferível focar a atenção no desenvolvimento de competências importantes para o desempenho de qualquer atividade humana e para o empreendedorismo, capacitando as pessoas a pôr em prática os seus conhecimentos e a enfrentar a diversidade do mundo do trabalho. A necessidade de atualização constante torna também imprescindível a predisposição para aprender sempre, renovar continuamente conhecimentos, habilidades e atitudes, e ser flexível e criativo.
Vale lembrar que o mundo pós-moderno, pós-industrial, exige um novo perfil de trabalhador e opera com o conceito de competência profissional. Esse conceito alia uma formação técnica de qualidade a competências de gestão cada vez mais requeridas para o desempenho de qualquer atividade como aptidão para trabalhar e decidir em grupo, para gerir e resolver conflitos, e para expressar-se com clareza, além de iniciativa, criatividade e autonomia para pensar e agir.
Qual contribuição uma organização social que trabalha com crianças de 7 a 17 anos pode dar para a formação de competências produtivas de seus educandos? Em primeiro lugar, valorizando a escola perante os educandos e buscando uma ação complementar com os seus professores e com a família. Cabe à escola a responsabilidade maior de desenvolver aptidões e competências fundamentais para o exercício de qualquer profissão ou atividade empreendedora. Cabe às organizações sociais assumir a co-responsabilidade pela educação das novas gerações, colocando a seu dispor educadores competentes e um ambiente rico em oportunidades educativas.
Preparar adequadamente as novas gerações para a sua inclusão e sucesso no mundo do trabalho significa, portanto, oferecer-lhes um ensino de qualidade dentro e fora da escola e motivá-los para a aquisição e a ampliação permanente de novas aprendizagens, tornando-os capazes de agir sobre o meio ambiente e realizar transformações em qualquer domínio.
Competências produtivas básicas
Criatividade
Desenvolver a criatividade para laborar operações, idéias, caminhos e soluções que tenham o poder de modificar uma situação existente em uma outra desejada.
Competências de gestão
As habilidades de gestão são aquelas que dizem respeito a dirigir, gerenciar, coordenar, controlar e avaliar o próprio trabalho (autogestão) ou o trabalho de outras pessoas (co-gestão e heterogestão). São habilidades que possibilitam o desenvolvimento do empreendedorismo e da trabalhabilidade, ou seja, a capacidade para ingressar, permanecer e crescer no mundo do trabalho. São elas:
Autogestão
Saber gerir a si mesmo, o seu tempo, sua vida e carreira, todas as suas atividades e o seu próprio processo de aquisição de competências produtivas.
Ter iniciativa e autonomia, tornar-se capaz de organizar, desenvolver e avaliar o próprio trabalho.
Ser capaz de utilizar a liberdade dentro dos limites éticos.
Saber ousar, assumir riscos calculados, assumir responsabilidade por seus erros, recomeçar.
Co-gestão
Aprender a negociar e assumir um compromisso com a decisão coletiva.
Criar, pensar, planejar, decidir, executar e avaliar em grupo.
Saber liderar e também deixar-se liderar.
Heterogestão
Saber gerir o trabalho de outros quando se está na liderança do grupo.
Saber respeitar princípios éticos e democráticos.
Saber motivar, transmitir conhecimentos, valorizar e estimular a criatividade quando se está na liderança do grupo.
Delegar responsabilidades.
Comprometer-se com o desenvolvimento dos potenciais de seus colaboradores.
Os quatro pilares da educação
Os quatro pilares são uma formulação genial de um grupo de personalidades mundiais da educação, coordenado por Jacques Delors a pedido da Unesco, que surge como mapa e bússola para orientar os educadores, dando-lhes maior segurança em um mundo complexo, batido constantemente por ondas de conhecimentos e transformações cada vez mais vertiginosas, que alteram modos de ver, de aprender, de ensinar e de viver. Como não submergir nesse mar agitado? Como definir a melhor rota de navegação num mundo em permanente processo de transformação?
A UNESCO coloca como alicerce de todas as construções pedagógicas neste novo século quatro pilares fundamentais: aprender a conhecer, aprender a conviver, aprender a fazer e aprender a ser.
Aprender a conviver – Competências relacionais
Aprender a conviver é um dos maiores desafios da educação, especialmente se considerarmos o crescimento da violência e o clima de exacerbação da competição, tanto no nível pessoal como no das organizações e dos países. Esse clima prioriza o sucesso individual e desfavorece a cooperação entre as pessoas e os povos e a convivência baseada na noção de igualdade e eqüidade. Além disso, existe uma tendência humana que leva a pessoa a supervalorizar as qualidades do grupo a que pertence, o que gera preconceitos de toda ordem e a noção equivocada de que uns valem mais do que outros. Este quadro nos dá a dimensão dos desafios e barreiras que devem ser transpostos para que a humanidade aprenda a conviver de acordo com valores humanos pautados pela ética.
Não nascemos conhecendo as regras de convivência. Elas precisam ser aprendidas e exercitadas até que sejam interiorizadas e se transformem em um padrão de conduta que se expresse naturalmente. É convivendo que se aprende a conviver, e este é um desafio presente por toda a vida da pessoa, dos grupos sociais e da própria sociedade como um todo.
Certamente a educação não poderá por si só dar resposta a todas as questões da convivência, mas sem dúvida tem um papel importante na superação desse quadro. O que é inadmissível é que ela se equivoque na sua ação e contribua para a perpetuação desses comportamentos, estimulando a competição de forma inadequada, reforçando preconceitos ou, ainda, que nada faça para superá-los.
O Relatório Jacques Delors alerta para o fato de que não basta pôr em contato pessoas que apresentem diferenças culturais e sociais para que elas aprendam a conviver. Se não forem tomadas as devidas precauções, o “estar junto” pode agravar tensões já existentes e degenerar em conflitos. Uma das estratégias para estimular a cooperação e a solidariedade é promover o engajamento das pessoas em redes interativas, pelas possibilidades que oferecem de ampliação de contatos e relacionamentos. No nível pedagógico, é possível propiciar o engajamento de crianças e jovens em projetos educativos que lhes permitam desviar sua atenção de preconceitos e hostilidades para focalizar o alcance de objetivos comuns. O empenho em atingir objetivos compartilhados propicia o desenvolvimento de uma união e uma identificação maior entre os participantes do grupo, capaz de colocar as diferenças em segundo plano. Especialmente no caso dos jovens, um caminho é desenvolver a solidariedade e estimular o seu protagonismo, ensejando-lhes a oportunidade de participar de projetos comunitários em que possam exercitar atitudes de compromisso e co-responsabilidade com a vida comunitária.
Para que surtam o efeito desejado, os projetos comuns devem ser motivadores e capazes de despertar o desejo de ser solidário. Para o Relatório Delors, quando essa condição é proporcionada, “as diferenças e até os conflitos interindividuais tendem a reduzir-se, chegando a desaparecer em alguns casos” (Unesco, 1997, p. 98). O que acabamos de dizer não significa evitar o espírito crítico, as divergências e o confronto de idéias, mas aprender a enfrentar essas situações por meio do diálogo e da troca de argumentos, com respeito e adoção de princípios éticos.
Para que uma pessoa possa partilhar de um verdadeiro diálogo com outra, colocar-se no seu lugar e compreender as suas razões, primeiro deve conhecer a si mesma: como pensa, como age, como sente. Em outras palavras, aprimorar as competências pessoais, como o autoconhecimento, é indispensável para o aprendizado de competências sociais mais amplas. Só assim seremos capazes de identificar no outro uma pessoa que tem os mesmos direitos que atribuímos a nós mesmos.
Conviver é encontrar-se com o outro. As competências relacionais, portanto, são aquelas que permitem às crianças e aos adolescentes desenvolver sua capacidade de relacionamento com o outro, no nível das relações interpessoais, e com a sociedade, num nível mais amplo de convivência. O relacionamento interpessoal compreende a interação de duas ou mais pessoas, seja na família ou no círculo de amizades na escola e no trabalho e, como vimos, está ligado ao modo como cada pessoa percebe a outra. O relacionamento no nível social diz respeito às comunidades, aos projetos coletivos, à política (no sentido mais abrangente do termo) e à cultura, ao meio ambiente, às cidades, ao país e a todas as instâncias públicas da vida.
A seguir, vamos conhecer as competências relacionais, segundo cada um de seus níveis: interpessoal e social.
Competências relacionais – nível interpessoal
Para promover o convívio sadio e os sentimentos de solidariedade e cooperação, é preciso desenvolver as seguintes competências interpessoais:
Reconhecimento do outro
Capacidade de ver o outro como uma pessoa autônoma e livre, portadora de direitos.
Capacidade de colocar-se no lugar do outro para compreendê-lo, aceitá-lo e poder relacionar-se com ele.
Convívio em grupo
Aprender a utilizar regras de conduta socialmente aceitas, como cumprimentos, agradecimentos, pedidos de informação e de desculpa.
Saber negociar as diferenças, os pontos de vista e os interesses, tendo como expectativa objetivos comuns.
Concordar e discordar sem romper a relação com os outros
Competir com lealdade.
Comunicação
Saber falar e saber ouvir.
Expressar-se com clareza e correção, sabendo utilizar a linguagem adequada a cada situação.
Fazer-se entender e também entender o outro.
Resolver conflitos pacificamente.
Aprender a propor sem impor, explicitando razões.
Aceitar discutir suas idéias sabendo que podem ou não ser aceitas.
Ceder sem se sentir perdedor.
Colocar-se no lugar do outro para compreender o seu modo de pensar, as razões que fundamentam suas posições e para desenvolver o respeito às diferenças.
Afetividade e sexualidade
Viver a própria afetividade e sexualidade.
Elaborar seus próprios valores, com respeito e solidariedade em relação ao outro.
Interação
Perceber o outro e estar aberto para seu universo.
Ser um facilitador das próprias intenções e das do outro para crescer juntos.
Convívio com a diferença
Desenvolver a capacidade de respeitar as diferenças dos outros.
Ser capaz de levar em conta posições contrárias às suas.
Respeitar o direito do outro de ser livre, de pensar e de agir de modo diverso dos demais.
Ver as diferenças como uma possibilidade de conhecer e de compartilhar outros modos de pensar, sentir e atuar.
Cultura da paz
Respeitar os direitos humanos e reconhecer o pluralismo de idéias e a diferença como traços inerentes e legítimos da humanidade.
Pensar a paz como elemento indissociável da justiça e da solidariedade.
Contribuir para a construção de uma cultura da paz com o objetivo de criar alternativas à violência.
Promover valores, atitudes, comportamentos e formas de vida que rejeitem a violência e adotem o diálogo e negociação como forma de resolver conflitos.
Transmitir conhecimentos sobre a diversidade humana, levando à descoberta do outro e fazendo aparecer os sentimentos de solidariedade.
Resolução de conflitos
Encarar conflitos como inerentes à convivência democrática e à diversidade.
Identificar as origens dos conflitos e utilizá-las como balizas para uma abordagem mais adequada da questão.
Cuidar das emoções para que a razão possa ser livremente usada na reflexão, na análise e na busca do entendimento.
Colocar-se no lugar do outro para compreender suas razões, aceitar as diferenças e desenvolver a solidariedade e o altruísmo.
Aprender a identificar e enfatizar os pontos de convergência entre todos, e a minimizar os pontos divergentes, em busca da conquista de propósitos comuns.
Convívio com a vitória e a derrota
Aprender a elaborar vitórias e derrotas de forma construtiva, tolerando frustrações e crescendo na adversidade.
Encarar as vitórias e as derrotas como faces da mesma moeda, cada uma delas portadoras de diferentes aprendizagens
Utilizar a para o aperfeiçoamento do desempenho.
Enfrentar as frustrações.
Competências relacionais – nível social
Relacionar-se significa também desenvolver competências que nos permitam participar das decisões que afetam o conjunto da sociedade e atuar em favor de um desenvolvimento humano mais completo. Para isso, é preciso desenvolver as seguintes competências sociais:
Compromisso com o coletivo
Compreender como a sociedade está organizada, como funciona, qual o papel desempenhado por suas instituições, como elas se relacionam.
Ultrapassar o âmbito pessoal e familiar, co-responsabilizando-se na luta pelo aperfeiçoamento da sociedade e na defesa dos interesses públicos.
Solidarizar-se, ser capaz de agir concretamente em favor da sociedade para realizar as transformações desejadas.
Saber identificar as questões que afetam a vida da comunidade e propor soluções agindo em cooperação com seus pares e com os adultos. Um bom caminho é envolver os educandos e suas famílias na discussões para tomada de decisões, nas quais se explicitem as funções dos órgãos governamentais, das organizações da sociedade civil e dos cidadãos na elaboração, implementação e controle de políticas públicas.
Exercer a cidadania.
Ser capaz de converter problemas em oportunidades.
Ser capaz de organizar-se para defender seus interesses e solucionar problemas por meio do diálogo e da negociação, respeitando regras, leis e normas estabelecidas.
Trabalhar para fazer possíveis, para todos, os direitos humanos.
Compromisso com o ambiente
Conhecer o planeta Terra e reconhecer nossa dependência em relação ao mundo físico.
Respeitar e cuidar de todas as formas de vida, do ar, das águas, das matas e dos minerais como patrimônios da humanidade.
Desenvolver co-responsabilidade ambiental (defesa e de cuidado com o lugar onde se vive, ações concretas para a melhoria das condições de vida para todos).
Analisar nossas atitudes e mudá-las se elas não vão ao encontro das relações de afeto e de cuidado que devemos ter com o planeta Terra.
Consciência de direitos e deveres
Tomar consciência de seus direitos e deveres para poder atuar de forma pró-ativa em sua promoção e garantia.
Conhecer os direitos humanos, os direitos constitucionais e os estabelecidos no Estatuto da Criança e do Adolescente, como também a luta da sociedade pela definição e implementação de todos eles.
Atuar na defesa dos direitos.
Avançar na luta pelo direito a ter direitos e pelo direito a participar da sua definição.
Compromisso com a cultura e a diversidade
Capacidade de conhecer e reconhecer as próprias origens.
Valorizar o saber social, perceber a importância que têm em nossas vidas
Conhecer o significado e a origem das tradições e costumes de sua comunidade, para que possam reconhecer-se como parte deles.
Aprendam que a história é construída pela vontade dos homens
Aprender a valorizar a diversidade cultural existente no mundo e a relacionar-se com ela para enriquecer seu universo pessoal.
Os quatro pilares da educação
Os quatro pilares são uma formulação genial de um grupo de personalidades mundiais da educação, coordenado por Jacques Delors a pedido da Unesco, que surge como mapa e bússola para orientar os educadores, dando-lhes maior segurança em um mundo complexo, batido constantemente por ondas de conhecimentos e transformações cada vez mais vertiginosas, que alteram modos de ver, de aprender, de ensinar e de viver. Como não submergir nesse mar agitado? Como definir a melhor rota de navegação num mundo em permanente processo de transformação?
A UNESCO coloca como alicerce de todas as construções pedagógicas neste novo século quatro pilares fundamentais: aprender a conhecer, aprender a conviver, aprender a fazer e aprender a ser.
Aprender a ser – Competências pessoais
Aprender a ser integra as três aprendizagens precendentes (aprender a conhecer, aprender a fazer e aprender a conviver) o que significa poder tornar-se tudo aquilo de que se é capaz, despertando e fazendo florescer as potencialidades do ser humano nas dimensões cognitiva, produtiva, social e pessoal, de forma completa. Para isso, precisamos de oportunidades educativas que nos coloquem em contato com a nossa individualidade como ponto de partida para um processo de desenvolvimento que se estende por toda a vida, voltado para a totalidade do nosso ser: espiritualidade, inteligência, sensibilidade, sentido estético e responsabilidade pessoal.
Assim, todo o ser humano deve ser preparado para pensar, decidir e fazer escolhas de forma autônoma e crítica em todas as circunstâncias de sua vida. Este desenvolvimento é um processo de maturação contínua da pessoa, que começa pelo conhecimento de si mesmo, de sua identidade, para se abrir, em seguida, à relação com o outro e com o mundo. Aprender a ser é ir ao encontro de si mesmo e transformar-se continuamente, e ao mesmo tempo é ter capacidade de agir e de mudar, assim como de construir e percorrer seu próprio caminho na vida. Portanto, aprender a ser se realiza no desenvolvimento pleno da personalidade e nas ações que concretiza no mundo.
Durante o processo de aprender a ser, observa-se também um dos mais importantes aspectos da ação educativa, que é a construção de um universo de valores que servirá como uma base para a capacidade de fazer escolhas e tomar decisões, seja diante de si, do outro ou da sociedade. A educação para valores deve estar presente especialmente neste momento, e também acompanhar cada um dos demais aprendizados.
Para aprender a ser, o indivíduo precisa cultivar uma atitude de autodesenvolvimento e dominar as competências do conhecer, do fazer e do conviver para construir e reconstruir uma identidade singular e para construir e reconstruir projetos de vida. Pressupõe, portanto, um trânsito dialético entre as dimensões do conhecer a si mesmo e do conhecer os outros e o mundo, num processo de constante ampliação.
A educação na família, na escola e na comunidade deve cuidar para que sejam criadas as melhores oportunidades para a descoberta de quem somos, única forma de descobrirmos quem são os outros, de desenvolvermos uma atitude de empatia e de estabelecermos relacionamentos responsáveis e enriquecedores.
O mundo em que vivemos, constantemente ameaçado pela alienação e por padrões homogeneizadores, especialmente nas grandes cidades, precisa de seres humanos dotados de liberdade de pensamento, de imaginação, de espírito de iniciativa. Cabe à educação levar os educandos a compreender o mundo que o rodeia, os desafios que apresenta, e prepará-los para assumir o papel de co-responsabilidade em relação aos seus próprios destinos, tornando-os capazes de contribuir de forma criativa para o aperfeiçoamento das instituições, das idéias e dos padrões de justiça vigentes; e também capazes de lutar contra os problemas que afetam a sociedade – a partir da sua ação cotidiana e do lugar social que ocupam.
Na visão de Jacques Delors, à qual aderimos plenamente, o desenvolvimento precisa estar comprometido com a realização completa do homem, considerando a sua riqueza e a complexidade das suas relações e dos seus papéis sociais, seja como pessoa, membro de uma família e de uma comunidade e cidadão, seja como produtor de sua própria realidade e de novas idéias. Aprender a ser se refere a esta plenitude do ser humano.
As competências do aprender a ser ou competências pessoais são aquelas que geram no indivíduo a capacidade de criar uma personalidade única e uma trajetória singular, simultaneamente conectadas aos desafios do seu tempo. Estas competências são apresentadas a seguir em dois grupos: Identidade e Projeto de vida.
Competências pessoais – Identidade e encontro consigo mesmo
Para que o ser humano descubra sua identidade, é necessário que vivencie um profundo encontro consigo mesmo. A descoberta da identidade requer:
Autoconhecimento
Construir a identidade.
Autoconhecer-se.
Conhecer seus afetos, suas emoções, seus talentos, suas potencialidades e habilidades, suas limitações, seus desejos e seus sonhos.
Tornar-se plenamente aquilo que se é em potencial.
Auto-estima
Capacidade de gostar de si mesmo, de aceitar-se e de valorizar-se.
Cuidar-se e valorizar-se, ser sensível ao que se é, às suas origens e aos seus potenciais.
Autocuidado
Cuidar do corpo, da mente, da sexualidade, da saúde e do bem-estar físico e psicológico.
Aprender a zelar pela saúde pessoal (compreender o funcionamento do próprio corpo, adotar cuidados adequados para a saúde física, mental e emocional, manter hábitos alimentares saudáveis, cuidar do repouso, do lazer, das atividades físicas etc.)
Cuidar da própria saúde é também cuidar de um bem comum – a saúde coletiva – e é, portanto, um sinal de responsabilidade e respeito pelo grupo social.
Ter uma ética de convívio consigo e com o outro em que a vida se torna o seu maior valor.
Valorização da vida
Respeitar a vida como o mais básico e universal dos valores.
Valorizar a vida como uma oportunidade para aprender sempre, melhorar a si mesmo e ao ambiente.
Autoconceito
Conhecer-se (elaborar uma identidade), ter auto-estima (gostar-se) e ter consciência de suas capacidades e conquistas.
Desenvolver um autoconceito positivo (aprender a lidar de forma construtiva com suas nossas potencialidades e limites).
Autoconfiança
Aceitar a si mesmo.
Conhecer suas forças e apoiar-se nelas.
Não tem medo de agir, de errar e de ousar.
Aprender com os erros.
Ser flexível diante de si e do outro.
Autodomínio
Aprender a lidar com os próprios sentimentos (reconhecê-los, identificar suas raízes e expressá-los dentro dos limites de respeito à convivência).
Ter a capacidade de canalizar as energias e as forças pessoais de modo positivo e em direção à realização de nossos projetos e desejos.
Ser capaz de viver a própria intimidade para poder respeitar a intimidade dos outros.
Autodisciplina
Ter noção clara da liberdade que se pode ter dentro de limites éticos.
Adquirir independência interna e ser capaz de autogerir-se de acordo com padrões interiorizados e socialmente aceitos.
Capacidade de fazer escolhas
Construir, vivenciar e fortalecer um conjunto de valores que contribuam para a construção da liberdade, da integridade, da solidariedade, do respeito à vida e da eqüidade social.
Capacidade de elaborar pensamentos autônomos e críticos.
Conhecer seus próprios interesses e potenciais e identificar nas oportunidades que surgem as que são mais adequadas a seu projeto de vida.
Visão confiante do futuro
Desenvolver a autoconfiança.
Sair do imediatismo e projetar novas realidades e assumir riscos.
Conviver com as incertezas, com o que não sabemos e mobilizar o melhor de nós para enfrentá-las.
Competências pessoais – Projeto de vida
A partir da elaboração da identidade, o encontro consigo mesmo continua em direção à construção de um projeto de vida. Para isso é preciso continuar desenvolvendo as seguintes competências pessoais:
Querer-ser
Confiar em si e no futuro e sonhar consigo mesmo no futuro.
Desenvolver a imaginação.
Autoproposição: o projeto de vida
Ter um sonho, definir as etapas para alcançá-lo e saber conduzir o processo para concretizá-lo.
Desenhar um projeto de vida e preparar-se para levar os sonhos às realizações.
Sentido da vida
Estabelecer um projeto de vida.
Traçar um rumo entre o presente e o futuro.
Autodeterminação
Ser capaz de escolher o caminho que se quer seguir, e não deixar que outros o façam por nós
Escolher os sonhos pessoais e definir quais queremos transformar em realidade e realizá-los.
Desenvolver a vontade como ferramenta de transformação pessoal e coletiva.
Resiliência (capacidade de resistir à adversidade)
Não se deixar destruir nos períodos difíceis.
Persistir e crescer nos momentos em que as dificuldades são muitas e grandes.
Agir com vontade.
Auto-realização
Cumprir seu potencial como pessoa, como profissional e como cidadão.
Plenitude
Alcançar os nossos desejos mais intensamente sonhados.
Superar limites e ampliar as possibilidades de desenvolvimento pleno de nossos potenciais.