Gestão do Terceiro Setor Esportivo

Gestão do Terceiro Setor Esportivo

Manifesto e Agenda REMS 2030 - O Esporte em defesa da Vida

Faça sua inscrição: 10ª Maratona de Esporte e Desenvolvimento Humano

Introdução

A REMS — Rede Esporte pela Mudança Social, fundada em 2007, acredita no esporte como elemento essencial para o desenvolvimento humano integral e pleno. Também reconhece o trabalho em rede como estratégia fundamental para garantir o direito às Atividades Físicas e Esportivas (AFEs), previsto no artigo 217 da Constituição Federal.

Atualmente, a rede reúne 150 organizações, presentes em 20 estados e em mais de 200 municípios brasileiros. Essas organizações impactam diretamente a vida de mais de 300 mil pessoas e alcançam cerca de 1 milhão de pessoas.

Democratizar o acesso ao esporte no Brasil, considerando recortes de diversidade — como gênero, raça, deficiência, orientação sexual, condição social e geração — é um dos grandes desafios da REMS. Apesar dos esforços já realizados, mais de 100 milhões de brasileiros e brasileiras ainda são insuficientemente ativos fisicamente.

A rede defende o movimento pela vida, que combate a inatividade física, promove a cultura de paz e fortalece educação, ética e cidadania, em alinhamento com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável. Suas organizações atuam em escolas, praças, presídios, ruas, campinhos de terra, favelas, periferias, becos e vielas.

Mesmo diante de contextos marcados por desigualdades e vulnerabilidades, a REMS reconhece um quadro de abundância: a diversidade cultural, regional, esportiva e étnica dos territórios. É nessa ação conjunta que o setor do esporte para o desenvolvimento humano concentra energia e esforços para transformar estruturas sociais, políticas, legislativas e econômicas.

A pandemia da Covid-19 e a pandemia da inatividade física

O alto índice de inatividade física ou de baixo nível de movimentação corporal da população já era apontado como uma pandemia antes mesmo da Covid-19. Com o agravamento do cenário em 2020, surgiu um desafio urgente: como promover o esporte para combater um déficit que restringe o desenvolvimento humano de parcela significativa da sociedade brasileira?

De modo geral, tanto parte da população quanto muitos propositores de políticas públicas ainda não valorizam a cultura esportiva como fator primordial para o desenvolvimento humano.

Vivemos em um Estado Democrático de Direito, mas que, na prática, ainda não se concretiza plenamente. Promover esporte, atividade física e lazer para todas as pessoas exige ampliar plataformas de acesso — virtuais e presenciais — e adaptar práticas a linguagens apropriadas para diferentes grupos sociais.

Esse processo implica reconhecer o esporte como patrimônio humano, que deve ser socializado e apropriado por todas as pessoas. O acesso ao esporte e à atividade física não pode permanecer restrito à lógica dominante que concentra oportunidades nas mãos de poucos.

Diante dos desafios aprofundados pela pandemia da Covid-19 e pelo contexto histórico de desigualdade no Brasil, a REMS, a partir de seus eixos de atuação, propôs discutir e buscar soluções para fortalecer o esporte no país. No 24º Encontro Nacional, apresentou uma agenda de ações estratégicas em defesa da vida.

Eixo 1: mobilização da sociedade brasileira para um Brasil mais ativo e saudável

  • Desafiar organizações, empresas e governos a assumirem conjuntamente o compromisso de reduzir a desigualdade social, considerando a democratização do acesso às atividades físicas e esportivas como estratégia essencial.

  • Defender que o esporte e a atividade física estejam entre as ações prioritárias no enfrentamento de crises humanitárias, como moléstias contagiosas, catástrofes e insuficiência de recursos.

  • Mobilizar organizações da sociedade civil para articular redes locais em seus territórios, identificar lideranças e demandas sociais, e construir estratégias de diálogo com o poder público, financiadores e doadores.

  • Criar e executar projetos que integrem diferentes conhecimentos, experiências, pessoas e instituições, ampliando o engajamento social, a captação de recursos e a capacidade de negociação com financiadores e doadores.

Eixo 2: representatividade e advocacy em defesa do direito às atividades físicas e esportivas

  • Ampliar o debate sobre um Plano Nacional de Esporte e um Sistema Nacional Esportivo Brasileiro, orientados pela garantia do direito às atividades físicas e esportivas previsto no artigo 217 da Constituição Federal.

  • Considerar todas as fases da vida — infância, juventude, vida adulta e envelhecimento — e os recortes de diversidade como princípios do marco legal.

  • Democratizar o acesso ao esporte com qualidade, continuidade de oferta, abrangência territorial, mecanismos claros de financiamento e definição de papéis entre entes federativos, organizações não governamentais e demais atores do setor.

  • Defender a construção de um Fundo Nacional Esportivo para fomentar políticas esportivas voltadas a toda a população brasileira e reduzir desigualdades na distribuição de recursos.

  • Apoiar a criação de Conferências Intersetoriais Nacionais da Sociedade Civil pelo Esporte, com periodicidade bianual, para compartilhar lutas, conquistas e pautas comuns de curto, médio e longo prazo.

  • Trabalhar pela continuidade da Lei de Incentivo ao Esporte (LIE) Federal nº 11.438/06, preservando e aprimorando os avanços na consolidação do esporte como meio de inclusão social.

Eixo 3: comunicação da causa do esporte que promove mudança social

  • Defender o esporte como um direito acessível a todas as pessoas, em suas diferentes manifestações e linguagens.

  • Reforçar o esporte como ferramenta de desenvolvimento humano, empoderamento social e fortalecimento de competências, habilidades e atitudes.

  • Promover uma campanha nacional capaz de unir esforços governamentais, empresariais e do terceiro setor para comunicar melhor a causa do esporte.

  • Evidenciar os valores e benefícios das atividades físicas e esportivas para diferentes públicos.

  • Ampliar investimentos em equipes e ferramentas de comunicação para fortalecer a narrativa do esporte pela transformação social.

  • Adaptar a comunicação para beneficiários diretos, familiares, organizações de base comunitária, setor público, setor privado e organizações internacionais.

Eixo 4: integração do conhecimento para impactar políticas públicas que ampliem o acesso

  • Ampliar e qualificar a sistematização de conteúdos sobre esporte e atividade física em um Banco de Conhecimento em Rede, organizado por áreas temáticas e eixos.

  • Contribuir para o diálogo amplo, a proposição de políticas públicas, o aperfeiçoamento de mecanismos de fomento ao esporte e o compartilhamento de metodologias e ações pedagógicas.

  • Promover fóruns públicos sobre gestão e inovação do conhecimento esportivo, estimulando diferentes formas de levar atividade física e esportiva para a população.

  • Defender processos participativos para a criação de projetos de lei e dispositivos legais que garantam a prática esportiva e a atividade física como fatores importantes para a plenitude da vida humana.

  • Monitorar e exigir que esses mecanismos reafirmem a relevância das práticas esportivas e das atividades físicas em todos os momentos e circunstâncias da vida.

  • Consolidar parcerias com redes esportivas, ONGs de outras áreas, empresas e governos para compartilhar conhecimento prático e teórico de forma mais ágil e estratégica.

Eixo 5: sustentabilidade para democratizar a prática das atividades físicas e esportivas

  • Trabalhar em rede para estimular a cultura da doação e mobilizar mais recursos para o setor do Esporte pela Mudança Social.

  • Mobilizar financiadores e pessoas físicas em prol da doação direta.

  • Criar alternativas de sustentabilidade, como plataformas de venda de produtos, serviços e outras iniciativas.

  • Fortalecer continuamente ações de advocacy para implantação e ajuste das leis de incentivo ao esporte, em âmbito federal, estadual e municipal.

  • Facilitar o acesso aos recursos e garantir a sustentabilidade das organizações proponentes.

  • Formar alianças políticas para acompanhar os mecanismos de fomento ao esporte no Brasil, sejam eles incentivados ou diretos.

  • Defender ações intersetoriais em áreas públicas, como segurança pública, saúde, educação e assistência social, para ampliar fontes de recursos e impulsionar diferentes mecanismos de desenvolvimento social.

Conclusão

Diante dos eixos apresentados, que traçam objetivos, ideias e estratégias deste manifesto, a REMS torna pública sua posição e sua agenda em defesa do esporte brasileiro.

A rede luta por mecanismos de fomento capazes de criar condições sociais, políticas e econômicas para o financiamento de ações, a criação e manutenção de programas e projetos, e o fortalecimento da formação profissional dos recursos humanos que atuam no segmento esportivo.

Além disso, a REMS considera fundamental manter uma rede permanente de construção de conhecimentos integrados entre os setores público e privado. Essa articulação deve permitir a participação da sociedade e promover o esporte como ferramenta efetiva de transformação social.

O esporte que transforma precisa de você

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